
Quando a expedição de André
Gonçalves navegava pelo canal que separa
a ilha e o continente em janeiro de 1502, não
imaginava que se tratava de uma ilha, julgavam
estar entrando em uma enseada (angra) a qual batizou
de Angra dos Reis homenageando a data de seu descobrimento,
seis de janeiro, data que a Igreja Católica
comemora os Santos Reis Magos. Verificou-se o
engano, era uma ilha e não uma enseada,
mas mesmo assim a ilha ficou sem um nome. A ilha
era chamada pelos índios da nação
dos Tamoios, que habitavam a região, de
Ipaum Guaçu que em Tupi Guarani significa
Ilha Grande
Após seu “descobrimento”, várias
expedições e aventuras foram realizadas
nesta porção do litoral brasileiro
e a Ilha Grande é citada em significante
número de registros históricos.
Padre Anchieta, famoso catequista dos nativos
brasileiros, registrou a presença de 150
tamoios na ilha. Eram valentes guerreiros, ótimos
flecheiros, caçadores, pescadores de linha
e mergulho e viviam de modo distinto dos outros
indígenas do continente, além de
terem a sua linguagem também diferente.
A Ilha Grande tem um importante papel histórico
inclusive internacional devido aos episódios
de pirataria, tráfico de escravos e contrabando
de mercadorias ocorridos entre os séculos
XVI e XIX. Com o descobrimento de outro e prata
no Peru no final do século XVI e o transporte
realizado pela frota espanhola entre a América
e a Europa tornou a Ilha Grande, assim como a
Ilha de Santa Catarina (Florianópolis)
e a Ilha de São Sebastião (Ilhabela),
pontos estratégicos de reabastecimento
de alimentos e água potável.
Piratas e aventureiros navegavam pela área
e assaltavam os navios espanhóis carregadas
de riquezas e também encontravam na ilha
madeira, alimento, água e esconderijo devido
a espessa vegetação e irregularidade
da costa.
A ilha passou pelo domínio de espanhóis,
portugueses e também holandeses. Estes
últimos deixaram heranças genéticas
na ilha que pode ser observada pela presença
de nativos com alguns traços índios,
olhos azuis e cabelos loiros. Depois os holandeses
ainda vieram os invasores franceses.
O tráfico de escravos se dá entre
os anos de 1510 e 1540 e foi realizado por embarcações
piratas inglesas, francesas e holandesas. A estada
dos traficantes era de pouca duração
apenas para o desembarque e trânsito dos
escravos à Paraty. Registros apontam que
em 1837 uma total de 524 negros foram desembarcados
na praia de Dois Rios, onde havia uma fazenda.
O Imperador Dom Pedro
II e o Lazareto
Em meados do século XIX, o Brasil vivia
o império de Dom Pedro II, na época
que surgiu a necessidade de construir uma espécie
de hospital para leprosos e imigrantes, um lugar
para desembarcar navegantes e imigrantes portadores
de cólera e outras enfermidades contraídas
nas naus, o lazareto. Durante os estudos para
escolha do lugar ideal em dezembro do ano de 1863
o Imperador Dom Pedro II faz sua primeira visita
a Angra dos Reis e se encantou pela beleza da
ilha, o que pode ter influenciado na decisão
de construir lá o Lazareto que funcionou
até 1913 atendendo a 4232 embarcações.
Permaneceu vazio de 1913 a 1939 quando serviu
de base fuzileiros navais durante manobras militares.
A REPÚBLICA E AS COLÔNIAS PENAIS
Após a proclamação
da República em 1889, o lazareto sofreu
muitas modificações, entre elas
a construção de um aqueduto capaz
de transportar 1000 litros de água por
dia. Hoje é possível visitar suas
ruínas.
Em 1903, foi instalada oficialmente a Colônia
Penal de Dois Rios que serviu de presídio
para pessoas julgadas por crimes comuns. Em 1940
o lazareto passou a abrigar os presos comuns que
estavam na Colônia de Dois Rios, para que
essa última pudesse abrigar os presos políticos
da Segunda Guerra Mundial. A mão-de-obra
desses presos comuns foi utilizada na construção
da estrada que liga Abraão a Dois Rios.
O Lazareto funcionou como presídio de presos
comuns até 1954 quando foi demolido. O Presídio
de Dois Rios voltou a receber os presos comuns além
dos presos políticos e funcionou até
1994, quando também foi desativado e demolido.
Personalidades como Graciliano Ramos e Orígenes
Lessa, tiveram passagem pelo presídio de
Dois Rios.
Até então a ilha não era atrativa
para o turismo e por isso a Vila do Abraão
é um território de jovem urbanização
e que cresce em ritmo muito acelerado. A falta de
presença humana massiva por todos esses anos
na ilha é o que a manteve quase intacta transformando
o lugar num verdadeiro paraíso na terra.
Se deseja conhecer mais sobre a história
da Ilha Grande visite: www.ilhagrande.com.br.
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